CERN decide cortar relações com a Rússia devido à guerra na Ucrânia

Lar do Grande Colisor de Hádrons, o CERN (francês para “Organização Europeia Para a Pesquisa Nuclear”) decidiu extinguir suas relações científicas e comerciais com a Rússia, como uma resposta à invasão militar do país contra a Ucrânia – uma guerra que já se aproxima de 15 dias. O anúncio foi feito em um comunicado publicado no site oficial da organização.

Em 24 de fevereiro, o presidente russo, Vladimir Putin, autorizou a tomada de ação militar contra a Ucrânia, justificando a invasão do país do Leste Europeu como uma resposta à tentativa dos Estados Unidos de integrá-lo à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O conflito já rendeu diversas sanções e repúdio à Rússia, vindos de vários países na Europa e América.

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O Grande Colisor de Hádrons, instalado no CERN, é o maior acelerador de partículas do mundo, responsável por confirmar o Bóson de Higgs, entre muitas outras coisas. O CERN decidiu suspender colaborações com a Rússia em relação a ele
O Grande Colisor de Hádrons, instalado no CERN, é o maior acelerador de partículas do mundo, responsável por confirmar o Bóson de Higgs, entre muitas outras coisas. O CERN decidiu suspender colaborações com a Rússia em relação a ele (Imagem: Belish/Shutterstock)

No caso do CERN, contudo, há um agravante: a estrutura conta com um time internacional de pesquisadores, todos com acesso ao Grande Colisor de Hádrons (entre muitas outras coisas, responsável pela confirmação do Bóson de Higgs, na Física). Isso inclui cientistas russos. Quanto a isso, o CERN já confirmou que os pesquisadores da Rússia não precisarão deixar a estrutura em Genebra, na Suíça, e poderão continuar seus trabalhos normalmente.

A medida não foi sem penalizações, porém: dentro do CERN, cientistas poloneses manifestaram um desejo de cortar todas as relações e tirar os russos – cerca de mil cientistas dos mais de 12 mil presentes – do local. Embora eles fiquem, o conselho diretor do CERN disse que novas colaborações entre a Rússia e a organização estão suspensas, e o status de observador de pesquisas internacionais dos russos está revogado até segunda ordem.

Finalmente, o comunicado disse que as iniciativas ucranianas de pesquisa em tecnologia e energia nucleares contarão com o apoio irrestrito da organização, e expressou apoio a cidadãos e cientistas russos que se posicionaram de forma contrária à guerra. Hoje, a Ucrânia tem cerca de 40 cientistas alocados no CERN.

“O CERN nasceu após a Segunda Guerra Mundial para unir pessoas e nações na perseguição pacífica da ciência: essa agressão vai contra tudo aquilo que a nossa organização representa. O CERN continuará a elevar esses valores de colaboração científica sem fronteiras, como um mecanismo que nos levará à paz”, diz o trecho final do comunicado.

A organização nascida em 1954 tem um papel consideravelmente maior do que a mera pesquisa científica, vale citar: desde sua criação, o CERN tem servido como uma “ponte” ou uma “zona neutra” das tensões entre a Rússia e o Ocidente – sobretudo os EUA. Essa percepção mediadora nunca foi desrespeitada por nenhuma das partes, nem mesmo no auge da Guerra Fria.

A comunidade científica em geral aplaudiu a decisão da organização, que finalizou o comunicado dizendo que continuará a monitorar a guerra russo-ucraniana, prometendo mais ações caso o conflito se arraste por mais tempo.

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