Cientistas encontram artefatos de caça de 1,7 mil anos na Noruega

Diversos artefatos de caça – incluindo flechas com ponteiras de ferro e até coberturas construídas por caçadores para se esconderem de suas presas – foram encontrados durante uma escavação de grande escala no monte Sandgrovskaret, região montanhosa da Noruega.

Segundo os pesquisadores, o material identificado foi usado em meados de 300 d.C (depois de Cristo), o que os posiciona há mais de 1,7 mil anos na história, bem próximo à Idade de Ferro das regiões escandinavas. Muito provavelmente, os caçadores se escondiam nas coberturas feitas com pedras, esperando que renas e alces ficassem mais próximos, antes de atacá-los com as flechas.

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Flechas com pontas de ferro e coberturas para que caçadores pudessem se esconder foram expostas pelo derretimento de gelo em região montanhosa da Noruega (Imagens: Espen Finstad/Reprodução)

“Renas são incrivelmente sensíveis a movimentos, então os caçadores tinham que ficar invisíveis para chegar a uma distância onde pudessem atirar”, disse Lars Pilø, um arqueólogo ligado ao Departamento de Herança Cultural do Condado de Innlandet, na Noruega, e co-diretor do programa “Segredos do Gelo”. Segundo ele, as flechas não voariam por mais de 20 metros (m), então o ajuste de distância era essencial aos caçadores.

De acordo com os especialistas, o material estava enterrado sob o gelo norueguês, mas o avanço do aquecimento global fez com que tudo se derretesse, expondo os artefatos de caça. A descoberta foi originalmente feita em 2013, mas somente a partir de 2018 é que uma escavação de grande escala pôde ser lançada. Pilø diz que uma questão de timing fez com que seu time priorizasse descobertas feitas em outros lugares.

Ao todo, foram cinco flechas – três com ponteiras de ferro – e mais de 20 coberturas levantadas com pedras. Além disso, 77 pedaços de ossos e chifres dos animais, bem como 32 espantalhos improvisados, estavam nas imediações. “Os espantalhos serviam para levar as renas em direção às coberturas, apesar de ainda tentarmos entender como isso funcionava”, disse Pilø.

De acordo com outro arqueólogo – Espen Finstad -, os caçadores não viviam nas montanhas, mas provavelmente montavam estruturas de descanso nelas – um indício de que, quando ele deixava sua residência, ele ficaria vários dias, talvez até semanas, fora. É mais provável que os humanos vivessem em assentamentos aos pés das montanhas: durante a Idade da Pedra, esses assentamentos eram pouco mais do que barracos, mas a introdução do ferro fez com que vilas inteiras fossem construídas – as chamadas “casas compridas” que todo seriado tematizado na cultura viking gosta de mostrar, provavelmente nasceram nesse mesmo período.

Os especialistas agora correm contra o tempo e continuam a percorrer as montanhas em busca de mais artefatos. Segundo um novo estudo, cerca de 14% do gelo escandinavo já regrediu, então os arqueólogos não estão economizando esforços para garantir as novas descobertas.

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