Cientistas simulam como seria um planeta “gêmeo” da Terra em Alpha Centauri

A pouco mais de quatro anos-luz de distância, encontra-se o sistema estelar mais próximo do nosso: o Alpha Centauri. Ele é composto pela anã vermelha Proxima Centauri, a 4,2 anos-luz, e um pouco mais longe, a 4,37 anos-luz, um complexo binário com duas estrelas próximas, a Alpha Centauri A e a Alpha Centauri B. Por enquanto, ainda não sabemos se há planetas parecidos ao nosso por ali, mas uma equipe liderada pelo cientista Haiyang Wang, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça), estudou a química das duas estrelas para inferir a composição química de um hipotético planeta rochoso e habitável que fosse “gêmeo” da Terra. Claro, em uma zona habitável do sistema — ou seja, com maior probabilidade de possuir água e condições “perfeitas” para a vida.

De forma surpreendente, os modelos feitos por Wang e sua equipe sugerem que a Terra de Alpha Centauri seria bastante semelhante ao nosso planeta. Teria um manto, ou camada intermediária, dominado por silicatos, e um interior com capacidade de armazenamento de água semelhante ao planeta do Sistema Solar. A diferença, segundo o estudo publicado no Astrophysical Journal, seria que o planeta gêmeo da Terra teria mais grafite e diamante em seu manto, o que provavelmente o tornaria mais brilhante.

Outro ponto interessante — e mais promissor — é que a Terra simulada exibe uma atmosfera primitiva semelhante ao planeta do Sistema Solar durante o éon Arqueano, cerca de 4 a 2,5 bilhões de anos atrás. Foi nesta época que a vida surgiu em nosso planeta na forma de micróbios.

Planeta teria núcleo mais ferroso que o nosso

Por outro lado, porém, a Terra de Alpha Centauri se diferenciaria da Terra normal porque provavelmente teria um núcleo de ferro um pouco maior que o nosso. Sua superfície também não obedeceria à teoria das placas tectônicas — a tese, apresentada pelo alemão Alfred Wegener em 1913, parte da dedução de que a crosta terrestre é feita de blocos semirrígidos e móveis que ditam como os continentes e oceanos são organizados.

De qualquer forma, o estudo liderado por Wang oferece muito mais do que como seria um planeta gêmeo da Terra. A ideia é indicar caminhos para uma futura exploração de exoplanetas. Nos últimos tempos, tal conceito vem ganhando força conforme as pesquisas sobre espaçonaves de hipervelocidade — a 20% da velocidade da luz — aumentam. Com tais dispositivos, seríamos capazes, por exemplo, de alcançar Alpha Centauri em apenas 20 anos.

Crédito da imagem principal: ESO/M. Kornmesser (imagem mostra uma impressão artística de como seria um planeta em Alpha Centauri)

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