Como o metaverso pode influenciar no mercado de trabalho e em outros setores

Já ouviu falar do metaverso? O termo está ganhando cada vez mais força e já é o centro das atenções, movimentando milhões em alguns setores do mercado, especialmente no nicho de tecnologia, em que as oportunidades de explorar mundos baseados em realidade virtual e mista motivaram até mesmo a mudança do nome do Facebook para Meta. Mudando um pouco de foco, apuramos como essa nova tendência pode afetar o mercado de trabalho, o varejo e até o meio da educação.

Em entrevista ao Olhar Digital, Jansen Moreira, CEO da Incetive.me, que oferece uma plataforma que funciona como ponte entre empresas e vendedores, comparou o metaverso com a dinâmica de um “jogo de videogame com mapa aberto”, com a diferença de que os mundos virtuais modernos são habitados por avatares dos usuários.

Algo no estilo do antigo “Second Life”, que chegou a fazer sucesso no início dos anos 2000, entretanto, com muitas possibilidades ainda a serem exploradas.

Para tratar sobre o tema, em especial as suas possíveis aplicações, o executivo também falou sobre o evento que reuniu diversas empresas, incluindo a Incentive.me, justamente para discutir as oportunidades do metaverso em especial no varejo.

“Pela primeira vez tive uma experiência de trabalho com o metaverso. Montamos um anfiteatro virtual em que as pessoas entravam com seus avatares, sentavam nas cadeiras e tinha alguém à frente falando e projetando ideias”.

A conferência aconteceu no metaverso, com espectadores e palestrantes usando avatares. Imagem: Divulgação

Para Jansen, a mesma experiência poderia ter sido feita por meio de um aplicativo de videoconferência tradicional como o Zoom. Porém, sem a mesma imersão em um mundo 3D, o que, segundo o executivo, permite experimentar sensações que as ferramentas de conversa mais tradicionais ainda não permitem.

“No metaverso, quando eu chego o meu avatar perto de você e eu falo, você me ouve mais alto do que outras pessoas que estão conversando a sua volta”, exemplificou. “Tirei até uma selfie com um cliente no metaverso”.

Apesar de se tratar de algo ainda muito novo e pouco explorado no meio de trabalho, em casos como esse, o metaverso consegue ser “mais próximo do real”, mudando a experiência e o “feeling” dos usuários em certas situações – algo que foi ressaltado desde quando Mark Zuckerberg começou a apostar as suas fichas nos mundos virtuais.

“O metaverso é uma camada diferente da realidade que estamos vivendo e está nascendo agora”, comentou Jansen, “agora cabe às pessoas aprenderem mais sobre as suas dinâmicas”. O que vai além dos ambientes imersivos para outros nichos, como o das criptomoedas, NFTs e carteiras digitais.

Entre as aplicações no varejo, um exemplo citado por Jansen entre vários dentro do contexto de vendas no metaverso, foi o da pizzaria Dominos, que pretende tirar proveito da novidade ao entregar produtos no metaverso para os avatares e também no mundo real, uma estratégia que pode virar tendência no futuro entre outras empresas quando a integração do metaverso com outras plataformas ganhar ainda mais força.

O papel dos NFTs no metaverso

Coleção de NFTs Bored Ape vista na tela de um tablet com notas de 100 dólares ao fundo; o papel dos NFTs no metaverso
Coleção de NFTs Bored Ape. Imagem: mundissima / Shutterstock.com

Os NFTs, bem como as criptomoedas, são parte importante no metaverso. A interação no meio virtual em festas, por exemplo, pode acontecer de forma diferente entre grupos que possuem um certo tipo de NFT, como os famosos ‘Bored Ape’, coleção que virou febre entre as celebridades.

“O NFT hoje tenta trazer algum benefício que não é só a propriedade de arte especulativa. Dentro desse aspecto, um dos cenários mais comuns é criar um motivo para você ter um NFT. Você tem esse NFT, logo você participa desse clube”, comentou Jansen.

Metaverso no mercado de trabalho

Jansen destaca que algumas empresas já demonstram interesse em contratar profissionais mais jovens e que já estão imersos em tecnologias como o metaverso e blockchain. A capacidade técnica já é, inclusive, menos importante do que de fato estar por dentro desses universos.

Uma dificuldade que pode aparecer no meio do caminho é a “conversa” das grandes empresas com esse público, já que a média de idade dos CEOs no Brasil, segundo o executivo, é de 58 anos, já a geração que mais investe dinheiro no metaverso é 24 anos.

“Como um diretor de produto de uma empresa, por exemplo, vai conseguir especificar e criar valor em uma coisa que ele não vive. Ele pode até saber criar um mundo virtual em 3D, mas viver aquilo é diferente”, comentou.

No fim, ficou claro que essa integração do mercado de trabalho também depende do interesse das próprias empresas. “Alguém (alguma empresa) terá que ser essa porta para as pessoas entrarem no metaverso. Para comprar NFT, fazer a sua primeira wallet (carteira de criptoativos)”.

Novas oportunidades e profissões

“Por mais que alguém queira comprar um NFT, no Brasil a ideia ainda é desconhecida pelo grande público”. Sendo assim, Jansen aponta que existe a oportunidade de agentes fazerem essa conexão do grande público com o metaverso e serem remunerados por isso.

Por exemplo, uma loja pode oferecer NFTs além de produtos físicos. Resta saber quando e como esses agentes vão aparecer em meio a esse cenário e também como outras profissões mais comuns podem se aproveitar dessa onda de cripto.

“Um arquiteto pode oferecer uma versão de imóvel no metaverso para os clientes, por exemplo, abrindo ainda mais o leque de possibilidades e janelas para abraçar o metaverso”, finalizou Jansen.

No fim, o executivo ressalta que “nem sempre é preciso ter essa camada de tecnologia blockchain e NFT”. É preciso avaliar primeiro quais são os objetivos para depois traçar uma determinada ação que gere uma proposta de valor atrativa para captar mais clientes, por exemplo, ou oferecer uma experiência nova aos consumidores. O que pode passar ou não pelo meio dos ativos digitais.

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Educação e o metaverso

A aplicação do metaverso no ambiente profissional também pode ser aproveitada no âmbito educacional. Os treinamentos de colaboradores, por exemplo, antes realizados em salas dedicadas, migraram para o ambiente virtual por conta da pandemia de Covid-19, algo que também foi visto no setor educacional com a mudança para aulas online.

Ainda que essas abordagens ainda sejam feitas por meio de ferramentas mais tradicionais, a ideia é que as experiências e vantagens do metaverso ganhem força também no meio da educação.

“No metaverso você consegue pegar com um pouco mais de sensibilidade de quem está prestando atenção ou não pela proximidade dos avatares. Você pode promover dinâmicas de grupo interativas. Assim como a mudança de paradigma do treinamento presencial para o virtual, vai chegar o momento em que o treinamento (ou aula) virtual vai acontecer no metaverso”.

“O mais importante agora é testar. Você não precisa ter uma estrutura completa para se aventurar no metaverso”, disse Jansen.

Por fim, o executivo sugere que muitos simplesmente não vão entender a premissa do metaverso por pertencer a uma geração diferente, o que pode causar uma nova fissura como a vista antes e depois do surgimento de outras tecnologias importantes, como a internet e os smartphones.

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