Desempregada, diarista faz cursos para deixar os repasses do Auxílio Brasil e criar o próprio negócio

Neste 8 de março, o InfoMoney dá voz a cinco mulheres, de diferentes estratos da sociedade. Todas elas enfrentam desafios para manter a renda em um Brasil que, sob a pandemia, é impactado pelo desemprego e pela inflação.

Conheça os desafios de Cintia, 31, de Nova Iguaçu (RJ).

Desempregada, Cintia Lima, 31, vive em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Conseguiu receber o auxílio emergencial de R$ 1.200,00 na pandemia, mas, agora, conta unicamente com a renda mensal do Auxílio Brasil (R$ 400,00).

Desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, Cintia viu o número de faxinas diminuir a cada dia, até ficar sem nenhuma cliente.

Mãe solo, garante a alimentação dos quatro filhos fazendo malabarismos. Aos sábados, vai à Central de Abastecimento do Estado do Rio (Ceasa), em Irajá, na zona norte, para recolher as sobras de legumes, frutas e verduras. “Pelo menos, garanto uma alimentação de qualidade para meus filhos”, diz.

Embora não tenha concluído o ensino fundamental, Cintia faz questão de manter as filhas, de 12 e 14 anos, na escola. A nova batalha, segundo ela, é conseguir matricular o filho de 6 anos.

Durante a pandemia, Cintia engravidou novamente — o caçula tem um ano. Para trabalhar, eventualmente, a diarista conta com o apoio do irmão e da mãe para olhar os dois filhos que ainda não estão na escola.

“Antes da pandemia, trabalhava informalmente, sem carteira assinada, em um bar, como atendente e fazia faxina em casas na Penha [bairro da zona Norte do Rio]. Ainda espero conseguir o emprego de carteira assinada, mas, enquanto isso não acontece, procuro fazer cursos gratuitos, a maioria deles de manicure, para adquirir mais conhecimentos”, diz ela, que não esconde um sonho: quer ser designer de unhas.

Neste ano, Cintia começou a acompanhar, de forma online, alguns cursos da Rede Mulher Empreendedora (RME). O conteúdo despertou não apenas a veia empreendedora, mas acendeu a vontade de buscar aprimoramento na técnica de manicure.

Nas aulas, em que teve noções de vendas e educação financeira, Cintia já esboçou um planejamento para poder comprar material e oferecer serviço de manicure e design de unhas. Ela estima que serão necessários R$ 1,5 mil, aproximadamente, para estruturar os atendimentos em casa.

“Tenho trabalhado como manicure, mas são poucas clientes ainda. Quero juntar um dinheiro para comprar material, porque não posso tirar do que é reservado para o sustento dos meus filhos”, explica.

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Cintia, que está assistindo à mentoria da RME, compreendeu rapidamente como fazer a divisão do que ganha. “Eu costumava comprar esmaltes e material, mas a conta não fechava. Agora aprendi a fazer divisão para repor material, tirar a minha parte sem comprometer o que será da empresa”, conta Cintia.

Completar os estudos até o ensino médio é outra meta. “Assim que minha situação financeira melhorar, quero voltar a estudar, sei que é muito importante. Mas hoje ainda não tenho condições de terminar os estudos, preciso trabalhar”, diz.

O dinheiro do auxílio emergencial deu à Cintia condições de comprar móveis e eletrodoméstico que nunca teve: geladeira e camas para ela e os filhos. Mesmo com dificuldade para acessar a internet, Cintia não abre mão de assistir aos cursos de manicure, nem do sonho de se tornar uma microempreendedora de design de unhas.

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