Estamos assistindo à “Primeira Guerra Cripto da história”

Em outros tempos, a Ucrânia poderia ter sofrido mais do que já vem sofrendo. Mas nesta guerra, o mundo cripto se tornou um dos protagonistas depois que o Twitter oficial da Ucrânia anunciou que o país estava aceitando doações em Bitcoin, Ethereum, Polkadot e até mesmo Dogecoin. “Agora até meme pode apoiar nosso exército e salvar vidas de invasores russos”, tuitou o vice-primeiro-ministro ucraniano Mykhailo Fedorov.

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Créditos: Reprodução/Twitter

A conta oficial do governo no Twitter compartilhou endereços de Bitcoin e Ethereum dizendo que “o povo da Ucrânia é grato pelo apoio e doações da comunidade global de criptomoedas, enquanto protegemos nossa liberdade”.

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Por serem ativos que não passam por nenhuma instituição tradicional com interesses políticos, para doar criptomoedas à Ucrânia, é só fazer uma transferência com a mesma complexidade de um PIX. Basta ter a criptomoeda em questão e uma wallet – carteira onde os ativos são guardados -, e enviar para os endereços descritos no tweet do perfil oficial. Mais simples impossível. Em uma única semana, as doações chegaram a mais 50 milhões de dólares… and counting.

Outras contribuições notáveis para a Ucrânia incluem US$ 5,8 milhões do fundador da Polkadot, Gavin Wood, e um CryptoPunk NFT no valor de mais de US$ 200 mil.

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Mas a coisa não parou por aí. À medida que a notícia da invasão russa se alastrou na imprensa e nas redes sociais, um grupo de ativistas e entusiastas cripto rapidamente se uniram para apoiar a Ucrânia. Nadya Tolokonnikova, mais conhecida como membro-fundadora da banda ativista Pussy Riot – opositora de Putin -, anunciou a criação da organização Ukraine DAO. Ao lado do Trippy Labs e membros do PleasrDAO, eles venderam a bandeira da Ucrânia em NFT. E por que a bandeira? “Não se trata de nenhum artista ou estética específica – é sobre algo muito maior do que todos nós, é um gesto puro de solidariedade”, declarou a cantora. O dinheiro é todo revertido para organizações civis ucranianas.

DAO é a sigla para Decentralized Autonomous Organization ou Organização Autônoma Descentralizada. É uma estrutura de negócios onde o controle é distribuído em vez de hierárquico.

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A ideia para a DAO da Ucrânia veio de Alona Shevchenko, uma ativista ucraniana que vive na Inglaterra. Shevchenko diz que esperava que a DAO da Ucrânia não fosse necessária e que as tensões na região diminuíssem. Ela está envolvida com comunidades descentralizadas desde 2020, trabalha com o FreeRossDAO e diz que entrou em contato com a comunidade naquela tarde, onde vinte pessoas estavam de plantão prontas para ajudar. “Criar uma DAO é uma boa maneira de chamar a atenção internacional, da Web3 e dar voz ao povo ucraniano”, diz Shevchenko, acrescentando: “É exatamente para isso que servem as DAOs, fazer mudanças offline no mundo real aproveitando o poder do blockchain”.

A organização autônoma descentralizada Ucrânia DAO arrecadou 2.258 ETH (cerca de US$ 6,75 milhões) em um leilão que começou em 26 de fevereiro e terminou em 2 de março.

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Mas o universo cripto também trouxe um dilema: o vice-primeiro-ministro ucraniano pediu que as exchanges de criptomoedas banissem unilateralmente todos os usuários russos das plataformas e congelassem suas participações. Movimento feito por muitas empresas e bancos tradicionais, que voluntariamente cortaram laços com os cidadãos da Rússia, mas as empresas de criptomoedas se negaram a aderir ao apelo. Afinal, seria no mínimo paradoxal. Uma vez que o intuito de valor da criptomoeda é conferir soberania financeira, quem poderia ter fé nas exchanges se as plataformas não tivessem recusado?

A opinião segue dividida: se contribuir para o congelamento total da economia russa e consequentemente pressionar o governo de Putin a recuar, supera o propósito existencial da criptomoeda de proteger a soberania financeira dos indivíduos. Ou seja, a soberania deve ser relevada depois que certas linhas são cruzadas?

Seguimos atentos.

*Luciano Mathias é CCO da TRIO

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