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Guerra entre Rússia e Ucrânia representa a volta do jogo das grandes potências

Os bombardeios da Rússia à Ucrânia, iniciados no dia 24 de fevereiro, deram o estopim não só a uma guerra entre os países vizinhos, como também a uma nova ordem internacional. O mundo em que só uma nação dava as cartas – os Estados Unidos, no pós-Guerra Fria – ficou para trás.

Agora, a comunidade internacional tem de lidar com o poderia norte-americano, a proeminência da Rússia e o crescimento da China. Isto é, de acordo com Carlos Gustavo Poggio, pesquisador e professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), o mundo voltou à era das grandes potências.

Em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Poggio afirma que a guerra no Leste Europeu é algo “muito além da Ucrânia”, de modo que o país “é só um objeto no jogo das grandes potências”.

“Esta guerra, em certa medida, responde a esta mudança estrutural. No fundo, esta guerra é a Rússia dizendo: ‘Temos de rediscutir as regras do sistema internacional’”, destaca o internacionalista. “Então, de alguma forma, o que estamos assistindo é à volta do jogo das grandes potências, um tema clássico das relações internacionais”, complementa.

Poggio, também PhD em Estudos Internacionais pela Old Dominion University, salienta que o sistema unipolar, regido pelos Estados Unidos nas três décadas após a Guerra Fria, foi inédito na história dos Estados nacionais modernos.

Nos períodos anteriores, o que se via era uma divisão de poder entre as nações – nos séculos 18 e 19, havia a preponderância de diversos países europeus; no século 20, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, entrou em cena o sistema bipolar, composto por Estados Unidos e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

O especialista ressalta que, mesmo em períodos em que há mais de uma potência, é possível haver cooperação internacional, o que se espera que ocorra agora.

Acho que Putin cometeu um erro estratégico gravíssimo”

“Estados Unidos e União Soviética tinham um grau de cooperação. Eles assinaram, por exemplo, nos anos 1970, o acordo de limitação de armas estratégicas. Então, esses dois aprenderam a lidar entre si.

O que estamos vendo, agora, é este novo sistema que está nascendo – e um marco importante é essa guerra. De alguma forma, estas potências vão ter de aprender a lidar [umas com as outras]”, avalia o especialista.

“Inicialmente, estamos vendo uma tensão entre Estados Unidos, Rússia e China, o que pode significar, como se está vendo no início, uma aliança de conveniência entre Rússia e China. Mas não considero que seja duradoura”, pontua o professor de Relações Internacionais.

A respeito da invasão à Ucrânia, Poggio indica que o presidente russo, Vladimir Putin, deve sair como o perdedor do conflito. Sinal disso é a rápida união de diversos países europeus como forma de prestar auxílio aos ucranianos.

“Acho que Putin cometeu um erro estratégico gravíssimo, porque tudo o que ele queria aconteceu ao contrário. Qual é o seu grande objetivo nos últimos 20 anos? Semear divisão entre os europeus”, destaca Poggio.

“Agora, independe do que acontece na Ucrânia. Ele [Putin] pode, e deve, conseguir capturar Kiev, nem que tenha que bombardear o país até o fim, mas a guerra ele já perdeu, porque os objetivos políticos que tinha, ele já não conseguiu cumprir – nenhum deles”, frisa o professor.

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