Ibovespa futuro recua; guerra da Ucrânia pressiona preços do petróleo e juros sobem em bloco

O Ibovespa futuro opera em queda no início do pregão desta segunda-feira (7). Às 9h20 (horário de Brasília), o contrato com vencimento em abril recua 0,54%, aos 114.473 pontos, acompanhando a performance das principais bolsas internacionais.

Nos Estados Unidos, no pré-mercado, os futuros caem em bloco – o Dow Jones recua 0,99%, o do S&P 500, 0,96% e o da Nasdaq, 1,04%. Na Europa, o DAX, da Alemanha, cai 1,79%, o FTSE, de Londres, tem baixa de 0,68% e o STOXX 600, que reúne papéis de todo o continente. está em baixa de 1,25%.

Os recuos são causados, majoritariamente, pelo avanço dos preços das commodities, principalmente do petróleo, que aumenta a percepção de que vários países do mundo podem caminhar para um período de estagflação.

A alta da commodity vem, por sua vez, da sinalização de que os Estados Unidos e aliados estão discutindo um embargo ao óleo russo, em uma nova escalada das sanções por causa da guerra na Ucrânia. O país comandado por Vladimir Putin é um o terceiro maior produtor de petróleo do mundo.

“O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse no domingo que o governo está discutindo uma proibição da importação do petróleo russo”, explica a XP Investimentos, em seu morning call.

Além do petróleo, uma série de outras commodities, também muito produzidas na Rússia, tem forte alta pela manhã. O preço do Níquel, por exemplo, avança 28% em Londres, com a perspectiva de sanções ao maior produtor deste metal do mundo. O trigo, com a Rússia sendo o terceiro maior produtor, tem alta de 7,03% na bolsa de Chicago e as negociações chegaram a ser interrompidas por conta da grande oscilação.

Na China, a tonelada do minério de ferro teve forte alta, se recuperando das baixas causadas recentemente pelas tentativas do governo do país em controlar os preços, e com investidores de olho em novos pacotes de estímulos.

Apesar de o país asiático ter diminuído sua meta para o crescimento do seu produto interno bruto (PIB) para o menor nível desde 1991, investidores esperam ainda que o governo do país estimule alguns setores internos, principalmente o da construção civil.

O índice Shanghai, contudo, acompanhou o sentimento mundial e fechou em queda de 2,17%. Ainda na região, o Kospi, da Coréia do Sul, recuou 2,29%. O HSI, de Hong Kong, caiu 3,87%. O Nikkei, do Japão, teve baixa de 2,94%.

Ibovespa futuro recua a despeito de Petrobras (PETR3;PETR4) e Vale (VALE3)

No pré-mercado americano, os ADRs da Petrobras e da Vale têm fortes altas, de, respectivamente, 2,96% e 3,97%, acompanhando o preço das commodities que produzem.

Mesmo com as duas companhias tendo muito peso no índice brasileiro, responsáveis por cerca de 30% do índice, o Ibovespa futuro recua, com investidores de olho na alta da curva de juros, que sobe em bloco – e que deve pesar na performance de várias companhias.

A taxa do contrato DI com vencimento em janeiro de 2023 sobe dez pontos-base, para 13,08%. A do contrato para 2025 sobe 19 pontos, para 12,16%. Na ponta longa, os DIs para 2027 e 2029 veem seus rendimentos avançarem, respectivamente, 15 e 12 pontos, para 11,84% e 11,91%.

A alta é causada pela perspectiva de que a guerra da Ucrânia pressionará ainda mais os índices de inflação, tanto no Brasil quanto em todo o mundo. “A guerra na Ucrânia está elevando os preços das commodities em geral, de agrícolas a metais. O aumento do custo de produção pode levar a economia mundial à ‘estagflação’ – elevando a inflação com a recessão da atividade econômica”, comenta a XP Investimentos.

O Boletim Focus trouxe pela oitava semana consecutiva um aumento das perspectivas para a alta dos preços no ano – especialistas de mercado consultados pelo Banco Central têm a expectativa média de que o IPCA terá alta de 5,65%, ante 5,60% na última semana.

Por fim, o preço dos combustíveis movimenta ainda o risco fiscal. Segundo notícias publicadas no final de semana, o Governo Federal avança em discussões de usar o dividendos da Petrobras para subsidiar a alta dos preços nas bombas – isso, porém, acabará de qualquer forma afetando a arrecadação e tende a ameaçar o teto de gastos.

O dólar futuro recua 0,20%, a R$ 5,094. O dólar comercial tem queda de 0,49%, a R$ 5,053 na compra e a R$ 5,054 na venda.

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