Megalodonte cresceu em águas mais frias, aponta estudo

Um novo estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade DePaul (EUA), afirma que o megalodonte, o super tubarão pré-histórico, cresceu e atingiu tamanhos descomunais em águas mais frias dos oceanos antigos, instituindo mais uma similaridade que a espécie extinta há quase 4 milhões de anos tem em comum com alguns de seus primos contemporâneos.

Muito pouco se sabe sobre o megalodonte, tendo em vista que fósseis completos do animal nunca foram encontrados, e o que temos dele guardado em museus é pouco mais que alguns dentes. Mesmo assim, porém, já conseguimos determinar que ele era um animal imenso: o consenso científico é o de que ele ficava entre 18 e 20 metros (m) de comprimento e pesava cerca de 50 toneladas – a grosso modo, um pouquinho menor que um ônibus biarticulado (o popular “sanfona”, se você for de São Paulo).

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O megalodonte está extinto há cerca de 3 milhões de anos, mas ainda estamos descobrindo detalhes sobre ele, como a influência das águas frias em seu tamanho imenso
O megalodonte está extinto há cerca de 3 milhões de anos, mas ainda estamos descobrindo detalhes sobre ele, como a influência das águas frias em seu tamanho imenso (Imagem: Herschel Hoffmeyer/Shutterstock)

O novo estudo analisou registros históricos relacionados ao megalodonte, comparando o seu tamanho com a posição geográfica onde seus dentes foram encontrados. “As nossas descobertas sugerem um padrão de tamanho corporal anteriormente desconhecido para o tubarão pré-histórico, notavelmente seguindo um padrão ecológico conhecido como ‘Regra de Bergmann’”, disse Kensu Shimada, professor de paleobiologia na DePaul.

O termo “regra de Bergmann” foi introduzido em 1847 pelo biólogo alemão Carl Bergmann, e basicamente é usado como uma referência generalista que explica que animais maiores se davam melhor com climas mais frios pois seus tamanhos os ajudavam a reter calor de forma mais eficiente que animais menores.

A relação da regra com o megalodonte faz certo sentido, considerando que esta era uma espécie de tubarão lamniforme. O grande tubarão branco, possivelmente o mais popular dos tubarões contemporâneos, normalmente prefere águas quentes, mas não tem problema nenhum e, inclusive, já foi visto várias vezes em locais de temperatura mais fria. Tal qual seu primo pré-histórico, o tubarão branco também é lamniforme.

Outro ponto interessante descoberto em pesquisas anteriores e reforçado no novo estudo é o fato de que alguns dos locais onde os dentes do megalodonte foram encontrados podem, na verdade, constituir criadouros da espécie antiga. Tubarões têm por tendência retornar aos lugares onde nasceram para botar seus ovos, e alguns dentes de megalodonte eram decididamente menores que outros, mesmo encontrados na mesma área. Algumas áreas, no entanto, estão localizadas na região equatoriana, onde o oceano é mais quente.

“Ainda é possível que o megalodonte tenha usado berços comuns para criar jovens tubarões. Mas o nosso estudo mostra que essas localizações consistem de dentes menores do animal, o que pode ser um produto de tubarões individuais que, quando adultos, acabaram tendo corpos menores em virtude da água mais quente”, disse Harry Maisch, co-autor do estudo e membro da Bergen Community College e da Universidade Fairleigh Dickinson University de Nova Jersey.

Em outras palavras: os megalodontes menores decidiram ficar próximos de regiões mais aquecidas, enquanto os verdadeiros gigantes preferiam o clima mais frio. Essa mudança de temperatura tinha uma influência direta em seus tamanhos.

O estudo completo pode ser lido no jornal científico Historical Biology.

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