Módulo InSight detecta os dois maiores “martemotos” da história

Os dois maiores “martemotos” (terremotos, só que em Marte) da história foram registrados pelo módulo InSight da NASA desde quando a missão pousou na superfície do planeta vermelho – e de quebra, os tremores ocorreram no lado escuro dele, segundo sismólogos da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

O InSight tem justamente a detecção de tremores como sua missão primária, e desde que chegou em Marte, em novembro de 2018, ele vem usando o que é até hoje o conjunto mais sensível de sensores sísmicos já construído, registrando incontáveis eventos pela superfície do nosso vizinho no espaço.

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A superfície de Marte é dotada de desvios de terreno causado por tremores sísmicos - ou "martemotos" - que percorrem todo o planeta: os dois maiores martemotos da história foram registrados em 2021
A superfície de Marte é dotada de desvios de terreno causado por tremores sísmicos – ou “martemotos” – que percorrem todo o planeta: os dois maiores martemotos da história foram registrados em 2021 (Imagem: NASA/Reprodução)

De acordo com as informações divulgadas, os eventos foram separados por 24 dias: o primeiro (S0976a) teve magnitude 4,2 e ocorreu em 25 de agosto de 2021, com seu epicentro marcado na região conhecida como Valles Marineris, uma área cheia de desfiladeiros que se estende por 4 mil quilômetros (km) no lado escuro de Marte.

O segundo martemoto (S1000a) veio em 18 de setembro de 2021. Apesar de sabermos que ele atingiu escala 4,1 de magnitude, seu epicentro não pôde ser determinado, exceto por marcamos-no “em algum lugar” do lado escuro do planeta vermelho.

O problema dessa localização é que, apesar de ser uma área com forte atividade sísmica, ainda está quase fora das capacidades dos sensores do InSight, que não conseguem detectar com muita exatidão as ondas de pressão P e S, os dois tipos que geram tremores. O núcleo de Marte acaba servindo de escudo e abafando-as, então os especialistas se concentraram em outros tipos de ondas – PP e SS.

Elas se projetam de forma parecida com suas “primas”, mas são refletidas diretamente na superfície, sem impedimento vindo do núcleo planetário.

“Registrar eventos dentro da zona sombria é um degrau crucial para o nosso entendimento de Marte”, disse o co-autor de um estudo sobre os tremores, Savas Ceylan, ressaltando que a detecção ocorreu a mais ou menos 40º (graus) da posição do módulo. “Estando dentro da sombra do núcleo, a energia atravessa partes de Marte que nós nunca conseguimos tirar uma amostragem sismológica antes”.

Os dados renderam um paper publicado no jornal científico The Seismic Record.

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