Pesquisa revela: região ártica perdeu um terço de gelo em 20 anos

Um novo estudo feito pelo Laboratório de Propulsão a Jato do Instituto de Tecnologia da Califórnia revelou que a região ártica da Terra perdeu cerca de um terço de seu gelo em 20 anos, devido ao retrocesso de uma forma de gelo que persiste por vários anos e o avanço do gelo sazonal – aquele que derrete em todo verão da região.

Explicando: o gelo de mar é o tipo que se acumula ao longo de anos e décadas, formando geleiras, paredões e boa parte da massa continental por ser mais puro e resistente ao calor. O material sazonal, no entanto, derrete com facilidade, e vem avançando sobre o primeiro e lhe tomando terreno, efetivamente “afinando” o volume de gelo presente no continente.

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O afinamento da espessura de gelo continental na região ártica pode trazer para a área verões completamente sem neve a partir de 2050
O afinamento da espessura de gelo continental na região ártica pode trazer para a área verões completamente sem neve a partir de 2050 (Imagem: yunus topal/Shutterstock)

As medidas de profundidade de gelo vêm, majoritariamente, de duas fontes de dados de satélites: LiDAR (ICESat-2) e radar (CryoSat-2). Com elas, cientistas conseguem gerar estimativas de profundidade da neve e a altura do gelo acima do nível do mar. De acordo com as informações mais recentes, 16% do volume de inverno do gelo de mar (pouco menos de meio metro) desde o lançamento do satélite ICESat-2, em setembro de 2018.

“Nós realmente não esperávamos esse declínio, que esse gelo estivesse tão mais fino em apenas três curtos anos”, disse Sahra Kacimi, autora primária do estudo e cientista polar a serviço do laboratório californiano.

A pesquisa comparou a espessura do gelo em relação à profundidade da neve calculada por dados dos dois satélites, com dados similares obtidos de registros climáticos anteriores. A conclusão foi a de que os dados dos registros climáticos valorizaram cerca de 20% as estimativas da presença de gelo na região ártica, contabilizando 0,2 metro que não estava lá de fato.

“A profundidade do gelo no ártico, a espessura do gelo de mar e seu volume são três medidas bem desafiadoras de se obter”, disse Ron Kwok, co autor do estudo e cientista polar da Universidade de Washington. “O detalhe mais importante para mim é a perda notável de volume do gelo de inverno do Ártico — um terço em 18 anos”.

Na prática, isso pode significar que, até o meio deste século (2050 e além), nós podemos ver temporadas de verão no Ártico completamente livres de gelo.

O estudo completo foi publicado no jornal científico American Geophysical Union.

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