Por causa da guerra, ESA anuncia suspensão do programa Exomars

Nesta quinta-feira (17) a Agência Espacial Europeia (ESA) emitiu um comunicado anunciando a suspensão da missão ExoMars, programa de cooperação com a agência espacial russa, Roscosmos, que visa o envio de um rover chamado Rosalind Franklin à superfície de Marte.

Rover Rosalind Franklin, que deverá inspecionar a superfície de Marte, faz parte da missão Exomars, atualmente suspensa pela ESA em razão da guerra russo-ucraniana. Imagem: ESA/Divulgação

“Como organização intergovernamental encarregada de desenvolver e implementar programas espaciais em pleno respeito pelos valores europeus, lamentamos profundamente as baixas humanas e as trágicas consequências da agressão à Ucrânia”, diz o comunicado da agência, em referência aos ataques da Rússia ao país do leste europeu, autorizados pelo presidente Vladimir Putin em 24 de fevereiro.

Embora reconheça o impacto na exploração científica do espaço, a ESA se declarou totalmente alinhada com as sanções impostas à Rússia pelos seus estados-membros.

A decisão foi tomada ao fim da reunião do Conselho Governante da ESA, em Paris, realizada na quarta-feira (16) e concluída na quinta, após os conselheiros avaliarem a situação decorrente da guerra russo-ucraniana em relação ao projeto ExoMars.

Decisão da ESA foi unânime entre os membros do Conselho

Segundo o comunicado da agência, o Conselho, por unanimidade, “reconheceu a atual impossibilidade de realizar a cooperação em andamento com a Roscosmos na missão do rover ExoMars, com lançamento em 2022, e mandatou o diretor geral da ESA [Josef Aschbacher] para tomar as medidas apropriadas para suspender as atividades de cooperação em conformidade”.

Além disso, de acordo com o Conselho, Aschbacher deverá apresentar um estudo industrial urgente para definir melhor as opções disponíveis para um caminho a seguir para implementar a missão do rover ExoMars.

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Diante da decisão da Roscosmos de retirar seu pessoal do Espaçoporto Europeu em Kouru, na Guiana Francesa, todas as missões programadas para lançamento de foguetes Soyuz foram suspensas. “Estas dizem respeito essencialmente a quatro missões institucionais para as quais a ESA é a entidade de aquisição de serviços de lançamento (Galileo M10, Galileo M11, Euclid e EarthCare) e um lançamento institucional adicional”, diz a agência.

Em consequência, Aschbacher iniciou uma avaliação sobre potenciais serviços alternativos de lançamento para essas missões. Um relatório sobre as necessidades de lançamento das missões da ESA, inclusive para naves espaciais originalmente planejadas para lançamento pela Soyuz de Kourou, será apresentado aos estados-membros.

Enquanto isso, o programa cooperativo da Estação Espacial Internacional (ISS) continua a operar normalmente. A principal preocupação no momento é dar continuidade às operações da ISS, em especial a garantia da segurança da tripulação.

Com base em uma primeira análise dos impactos técnicos e programáticos em todas as outras atividades afetadas pela guerra na Ucrânia, o chefe da ESA pretende convocar uma sessão extraordinária do Conselho nas próximas semanas para apresentar propostas específicas para a decisão dos estados-membros.

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