Produção industrial de janeiro decepciona visões já negativas e economistas apontam ainda mais desafios ao longo do ano

Decepcionando as expectativas, que já eram de queda, a produção industrial brasileira despencou 2,4% entre dezembro e janeiro, após ajuste sazonal, compensando grande parte do expressivo crescimento de 2,9% observado na leitura anterior, enquanto o consenso de mercado esperava baixa de 1,9%. Em comparação a janeiro de 2021, o volume produzido na indústria contraiu 7,2%, ante expectativa do consenso de queda de 6,3%.

A XP destaca que o desvio entre a projeção e o resultado efetivo deveu-se, em grande medida, ao desempenho mais fraco que o esperado da Indústria Extrativa – ainda que já a casa já considerasse o impacto negativo das paralisações de extração de minério de ferro em Minas Gerais causadas pelas fortes chuvas no início do ano.

A produção manufatureira total mostrou elevação de 0,5% no trimestre móvel até janeiro em relação aos três meses imediatamente anteriores (ressalta-se, entretanto, a base de comparação bastante deprimida).

A retração da produção industrial em janeiro ocorreu de forma disseminada entre as categorias econômicas.

A XP chama a atenção para as quedas pronunciadas dos agrupamentos de bens de consumo duráveis (queda de 11,5% em janeiro e dezembro) e bens de capital (baixa de 5,6% em janeiro e dezembro). Em relação ao primeiro, destaque para a influência do tombo da fabricação de veículos automotores (queda de 17,5% em janeiro após alta de 15,2% em dezembro).

“Várias montadoras destravaram linhas de produção no último mês de 2021, tendo em vista a maior disponibilidade de insumos, mas esta melhoria teve curta duração. Argumentamos, ao longo das últimas semanas, que a forte expansão da produção de automóveis em dezembro deveria ser interpretada com bastante cautela”, aponta Rodolfo Margato, economista da XP.

Ainda sobre os dados desagregados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), 20 das 26 classes de atividade industrial acompanhadas pelo IBGE apresentaram variação negativa em janeiro ante dezembro. Além da contração do volume produzido de veículos e das perdas na Indústria Extrativa, as seguintes atividades também exerceram contribuição baixista significativa sobre o resultado da indústria geral no período: Metalurgia (-2,8%), Produtos Químicos (-2,2%), Máquinas e Equipamentos (-2,3%) e Bebidas (-4,5%).

A estimativa preliminar da XP para a produção da indústria geral em fevereiro corresponde a avanço de 0,7% ante janeiro, com ajuste sazonal (recuo de 5,2% ante fevereiro de 2021).

O Goldman Sachs também espera que o setor industrial tenha se recuperado ligeiramente em fevereiro. Contudo, daqui para frente, o setor também enfrentará ventos contrários de condições financeiras mais apertadas (taxas de juros crescentes), demanda fraca à medida que a inflação corrói a renda disponível real, atritos persistentes na cadeia de suprimentos e altos custos de logística, energia e outros insumos.

O Bradesco BBI ainda aponta que janeiro teve a produção industrial impactada pelo surto da variante Ômicron, com muitos setores da economia sofrendo com a ausência de trabalhadores devido à doença.

Ainda assim, esse resultado fraco só se soma a uma indústria já “sem brilho” observada nos últimos meses – aliás, a pesquisa mensal da indústria mostrou apenas dois meses de crescimento na margem nos últimos 12 lançamentos, em maio e dezembro de 2021.

“A desorganização nas cadeias de suprimentos e a alta da inflação, que impactaram a indústria nos últimos dois anos, podem ser intensificadas pelos conflitos geopolíticos entre Rússia e Ucrânia. Além disso, a política monetária mais restritiva (com a alta da Selic) reforçou as expectativas já baixas para a indústria em 2022”, avalia o BBI.

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