Renner terá R$ 155 milhões para investir em startups; CEO detalha os planos do fundo

Lojas Renner (LREN3)

A Renner (LREN3) quer ser o maior ecossistema de moda e estilo de vida na América Latina – e esse objetivo passará cada vez mais pela associação com startups. Depois de adquirir o brechó online Repassa, a varejista anunciou nesta semana o lançamento de seu próprio corporate venture capital (CVC).

Chamado RX Ventures, o fundo de investimento corporativo para comprar participações minoritárias em negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos terá um orçamento de R$ 155 milhões, a ser dividido em pelo menos 10 startups.

Fabio Faccio, CEO da Renner, descreveu o histórico da varejista de moda com startups em entrevista ao Do Zero Ao Topo, marca de empreendedorismo do InfoMoney. A Renner olha para o relacionamento com startups desde 2017, quando começou a firmar contratos de fornecimento e parcerias. A partir de 2018, a varejista patrocinou programas do ecossistema de inovação, como as acelerações da Endeavor, e realizou provas de conceito com startups. Em 2021, fez seu primeiro movimento de aquisição de startup, com a Repassa.

“O objetivo com a RX Ventures é criar mais um modelo para alavancar nosso relacionamento com startups, com um olhar de médio a longo prazo”, disse Faccio. “Vamos falar com 1000 startups para chegar nas 10 finalmente investidas. Podemos mostrar um rol de possibilidades nessas conversas. Então, o CVC não é apenas uma ferramenta pura de investimento: o objetivo é que as startups, quando pensem em uma grande empresa para parceria, pensem na Renner”, completou Guilherme Reichmann, diretor de estratégia e novos negócios da Renner.

A RX Ventures fará investimentos minoritários em startups em estágio inicial, com aportes semente e série A (conheça todos os estágios de crescimento de uma startup, da ideia ao IPO). Serão cheques de R$ 5 milhões a R$ 15 milhões, em troca de 10% a 20% de participação em cada negócio. O prazo será de quatro anos para investimento e mais quatro anos para desinvestimento.

Os segmentos olhados pela RX Ventures serão varejo de moda (fashiontech e retailtech); e-commerce e marketplaces; conteúdo, marketing e branding (martech); soluções financeiras (fintech); e logística e supply chain (logtech).

“Queremos um fundo focado na evolução do varejo, que tem uma amplitude de dores a serem resolvidas. Seremos amplos na busca porque nosso objetivo é olhar para tendências num horizonte de até oito anos. Dores mais presentes podem ser resolvidas com parcerias de curto prazo e pontuais”, explicou Reichmann.

A startup deve ter uma solução já testada no mercado, ainda que em estágio inicial. A Renner também analisará o histórico tanto dos fundadores quanto da empresa, com critérios como perfil empreendedor e qualidade da base de clientes.

A RX Ventures é um fundo de investimento em participações (FIP), regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Renner é a única cotista do FIP. A gestão ficará com a PortCapital, liderada pelo especialista em corporate venture capital Sandro Valeri. As decisões de investimento serão tomadas pelo comitê da RX Ventures, que reúne tanto a Renner quanto a PortCapital, e por outro comitê interno da Renner.

A Renner não é a primeira varejista de moda a lançar um corporate venture capital: Arezzo (ARZZ3) e Grupo Soma (SOMA3) têm seus próprios CVCs. “Temos um diferencial de capital comprometido, governança e gestão por um parceiro com grande experiência em CVC. Tudo isso foi estabelecido em um fundo regulamentado pela CVM. Um segundo diferencial é nossa estrutura de testagem de soluções de forma rápida e não onerosa, porque temos estruturado esse processo nos nossos anos de relacionamento com startups. Por fim, temos ainda uma base grande de clientes e de conhecimento de varejo e inovação”, disse Reichmann.

A RX Ventures prevê ainda que, no encerramento do ciclo do aporte, “cada participação do CVC poderá evoluir para uma aquisição de controle, uma venda ou abertura de capital”. Mas não existe uma obrigação de manter relacionamento futuro ou até mesmo exclusividade com a Renner.

“Justamente por isso temos uma separação em termos de governança e regulação entre a Renner e o FIP. Nossa intenção é escolher startups que antecipam tendências e levá-las ao sucesso”, disse Reichamann. “Nessa busca por investimentos, a gente potencializa ainda mais o relacionamento para outros tipos de parcerias com a Renner, como um investimento maior, uma eventual aquisição ou até suporte em uma abertura de capital. Mas é muito mais um caminho natural de possibilidades do que uma premissa”, diz Faccio, CEO da Renner.

O CEO ainda traçou um panorama sobre o atual momento do varejo de moda, com uma mistura entre compras físicas e online. “Empresas com boas propostas de valor e foco no consumidor serão as vencedoras em qualquer cenário, e para isso precisam se renovar constantemente. Vemos uma transformação nos hábitos de consumo, e com isso uma sinergia grande na troca de experiências entre empresas maduras e novas. A melhor forma de trabalhar é essa, porque cada negócio gera valor ao outro e a cooperação traz uma potência maior de transformação.”

Fabio Faccio, CEO da Renner (Foto: Vini Dalla Rosa/Divulgação Renner)

Cresce a relação entre empresas e startups

A inovação antigamente se fazia apenas com os próprios funcionários da empresa, nos departamentos de pesquisa e desenvolvimento. Com transformações cada vez mais rápidas em diversos mercados, a inovação fechada dividiu seu espaço com a inovação aberta. A inovação aberta é a busca por mais oportunidades de crescimento em colaboração com outras empresas, como as startups.

“Buscamos inovação internamente no nosso time também, mas olhamos para um horizonte mais amplo e que traz uma potência maior. Temos visto que grande parte da inovação vem também de startups, porque elas são um ecossistema vivo de criação”, resumiu Faccio. O histórico de inovação da Renner vem desde os anos de 1990, quando o executivo José Galló assumiu a empresa, que na época valia cerca de R$ 1 milhão. Hoje, a companhia está avaliada em mais de R$ 23 bilhões.

Existem diversas táticas para promover inovação aberta dentro de uma companhia, como o próprio histórico da Renner mostra. Primeiro, surgem contratos pontuais de fornecimento e parceria. Depois, iniciativas que não pedem participação na startup, como incubação, aceleração e laboratórios de inovação para fazer provas de conceito (POCs). O próximo passo é a estruturação do corporate venture capital, que faz aportes minoritários em troca de participação. O último estágio dessa relação é o de aquisição completa das startups (M&A).

Esses últimos estágios recebem cada vez mais atenção – e dinheiro. Segundo a empresa de inovação Distrito, US$ 638,2 milhões foram investidos por meio de CVCs em startups brasileiras durante 2021. O valor representa mais do que o triplo dos US$ 198,6 milhões vistos em 2020. A empresa de inovação ainda reporta 247 fusões e aquisições envolvendo startups em 2021, ante 170 em 2020. Foi um crescimento de 45%. A Renner participou dos M&As em 2021; neste ano, participará também dos CVCs.

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