Tensões entre EUA e Rússia podem deixar astronauta norte-americano “preso” na ISS

O retorno do viajante espacial americano Mark Vande Hei, da NASA, pode estar comprometido. Segundo informações divulgadas pela emissora ABC News, o diretor da agência espacial russa (Roscosmos), Dmitry Rogozin, publicou um vídeo no YouTube (em russo, mais abaixo) ameaçando deixar o astronauta americano na Estação Espacial Internacional (ISS), onde ele vive hoje.

Mark Vande Hei detém o recorde de maior longevidade em missões espaciais, teoricamente terminará seus 355 dias no espaço em três semanas, quando ele e os dois cosmonautas russos – Anton Shkaplerov e Pyotr Dubrov – embarcarão em uma nave Progress e descerão até o Cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão.

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Entretanto, tensões entre a Rússia e…bem, a maior parte do mundo, têm ficado cada vez mais acaloradas nas últimas duas semanas, quando o presidente Vladimir Putin autorizou ação militar contra a Ucrânia em virtude desta poder integrar ao quadro de membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) – um bloco onde o maior representante é os Estados Unidos.

Em resposta à declaração de guerra, o presidente americano Joe Biden impôs diversas sanções comerciais que, prometeu ele, “degradarão o programa espacial russo”. Em resposta, Rogozin fez a ameaça no vídeo acima. Isso, depois de um comunicado da NASA afirmar que, lá em cima, na ISS, as relações entre EUA e Rússia seguiam em cooperação, apesar do conflito.

A ameaça de Rogozin não parou por aí, pois o diretor também afirmou a intenção de “destacar todo o segmento russo da ISS”. A estação é dividida em diversos segmentos e módulos, onde atuam os astronautas de seus respectivos países – o Nauka, por exemplo, é um dos módulos russos na estrutura de quase 500 toneladas.

A NASA e a Casa Branca não responderam à ameaça de Rogozin, que foi publicada no YouTube durante uma entrevista em um programa russo veiculado por um canal no Telegram (o próprio app viria a sinalizar apoio à Ucrânia dias depois).

Entretanto, a medida não passou incólume: o ex-astronauta da NASA, Scott Kelly, cobrou explicações de Rogozin no Twitter, no próprio idioma do diretor. Rogozin, por sua vez, bloqueou Kelly de interagir com ele.

“Eu fiquei furioso que ele (…) disse que deixaria um membro americano da tripulação para trás. Eu nunca pensei que ouviria nada tão escandaloso”, disse Kelly à ABC. “Eu conhecço [pessoas da agência espacial russa] – muitas delas por mais de 20 anos. Eu confio nelas. Eu literalmente confiei a minha vida a elas antes”. O ex-astronauta ainda disse que os EUA deveriam “se preparar para o pior”, mas “torcer pelo melhor”.

Hoje, a NASA conta com a SpaceX para realizar a entrega de tripulantes e suprimentos científicos à ISS e, em tese, nada impede que a empresa de Elon Musk preste esse auxílio caso Rogozin decida cumprir a ameaça. Até o momento, a empresa também manteve-se em silêncio.

Se nada mudar e a ameaça se provar vazia, Mark Vande Hei retornará à Terra em 30 de março de 2022.

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