Tesla recebe autorização condicional para inaugurar gigafábrica em Berlim

A Tesla recebeu autorização condicional para iniciar a produção de 500 mil carros elétricos anuais em sua gigafábrica em Berlim, na Alemanha. A autorização foi concedida pelo estado de Brandemburgo nesta sexta-feira (4), encerrando — ao menos parcialmente — um impasse entre a fabricante e o governo alemão que já dura meses.

Os detalhes da autorização foram divulgados junto com uma licença condicional para instalação. O documento tem 536 páginas. O adjetivo “condicional” é importante aqui, pois há cerca de 400 tópicos a serem atendidos pela Tesla para que a produção seja 100% autorizada, entre eles uso da água e controle de poluição no ar.

Com isso, a fabricante deverá comprovar, nos próximos 15 dias, que atende às condições impostas pelo governo alemão. Objeções ao empreendimento também podem ser apresentadas no mês que vem.

Segundo os documentos divulgados pelo estado de Brandemburgo, a Tesla poderá produzir 500 mil carros elétricos na gigafábrica de Berlim, juntamente com outros processos de produção, como células de bateria. A montadora americana já contratou cerca de 3 mil trabalhadores, porém, meta é contar com um efetivo de 12 mil.

A produção em Berlim deve ser acelerada no segundo semestre de 2022. Antes disso, a Tesla pode produzir cerca de 30 mil unidades. Até agora, todas as unidades do Model Y que chegaram à Europa vieram da fábrica da montadora em Xangai. Com a gigafábrica alemã, muda o cenário.

Tesla Model Y
Fábrica de Berlim poderá produzir mais de um milhão de unidades do Tesla Model Y (Tesla/Divulgação)

Preocupação ambiental

O atraso na inauguração da fábrica da Tesla em Berlim se deu especialmente por conta de problemas ambientais. Por parte do estado de Brandemburgo, houve a avaliação de que a fabricante não oferecera um conceito de tratamento de esgoto, assim como planos de contingência e emergência — por exemplo, em relação ao vazamento de produtos químicos perigosos.

“Depois de um ano, a Tesla decidiu também construir uma fábrica de baterias por lá, o que significa que o processo de aprovação teve que começar do começo”, explicou Hubertus Bardt, do Instituto Econômico Alemão, à DW. “Para que todo o processo não demorasse muito, considerando as questões difíceis envolvidas.”

Elon Musk já afirmou que a usina em Berlim terá capacidade de produção anual de até 100 gigawatts por hora em um estágio inicial. Isso é o suficiente para produzir baterias para mais de um milhão de carros Model Y. A Tesla também deve produzir uma nova geração de células de 80 por 60 mm, que proverão maior densidade energética e estenderão o alcance dos carros em mais de 16%.

Disputa com a Volkswagen

A gigafábrica da Tesla em Berlim também é vista como ponto fundamental para a empresa americana fazer frente ao domínio da Volkswagen na Europa. No presente, a maior montadora da Alemanha é líder no segmento de carros elétricos no Velho Mundo, detendo uma participação de 25% no mercado contra 13% da Tesla.

Em resposta aos planos de Elon Musk, aliás, a Volkswagen anunciou nesta sexta-feira (4) que vai investir 2 bilhões de euros (cerca de R$ 11 bi) na construção de uma nova fábrica próxima de Wolfsburg, nordeste da Alemanha. A ideia é produzir por lá o Trinity, o primeiro de uma nova geração de modelos movidos a bateria.

Crédito da imagem principal: Gofra/Shutterstock

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