Tesouro Direto: juros de papéis de inflação batem recorde com piora nas projeções para IPCA; prefixados oferecem até 12,54%

Após mais uma semana sem acordos, autoridades da Rússia e da Ucrânia tentam sentar à mesa mais uma vez nesta segunda-feira (14) para estabelecer um cessar-fogo mais sólido.

Atenção também para as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed), banco central americano, e do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. Ambos anunciam as novas taxas de juros na próxima quarta-feira (16).

De acordo com as opções de Copom negociadas na B3, há mais de 60% de chance de que o ajuste seja de 1 ponto percentual, na visão do mercado. Não está descartada, no entanto, a possibilidade de que a alta seja maior: alguns agentes, em menor número, projetam elevações de 1,25 e de 1,5 ponto.

Depois de um forte reajuste no preço dos combustíveis pela Petrobras e do avanço nos preços de commodities, o Relatório Focus de hoje registra uma piora expressiva nas projeções de inflação e de juros para este ano.

Agora, a mediana dos economistas consultados pelo Banco Central aponta que a Selic deve subir para 12,75% ao ano no fim de 2022, contra os 12,25% previstos na semana passada. Para a inflação, as projeções passaram de 5,65% para 6,45%, uma alta de 0,80 ponto percentual.

Em meio à perspectiva de uma política monetária que deve ser ainda mais apertada, diante de fortes pressões inflacionárias, as taxas oferecidas pelos títulos do Tesouro Direto operam em alta nesta manhã.

Papéis prefixado viam avanços de até 12 pontos-base (0,12 ponto percentual) nos retornos, como é o caso do Tesouro Prefixado 2025, que oferecia juros de 12,54% ao ano às 9h20, contra 12,42% na sessão anterior.

Destaque também para os papeis atrelados à inflação, com vencimento em 2040 e 2055, ambos com pagamento de juros semestrais. Às 9h20, os dois títulos entregavam um juro real de 5,91% e 5,93%, respectivamente, acima dos 5,84% e 5,85%, nessa ordem, vistos na última sexta-feira (11).

Tais valores são os maiores já oferecidos por esses títulos, que passaram a ser negociados em fevereiro de 2020.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na manhã desta segunda-feira (14):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Relatório Focus

O foco dos agentes financeiros está no Relatório Focus. Com a forte revisão nos dados projetados para a inflação oficial deste ano, a projeção do mercado está cada vez mais fora da meta do Banco Central, que é de 3,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual.

Apesar de as revisões para cima nas estimativas de inflação e de Selic para este ano, o mercado aumentou as projeções de alta para o Produto Interno Bruto (PIB), que agora estão em 0,49%, contra 0,42% uma semana antes.

Os economistas também preveem um dólar mais barato em dezembro, com as projeções para a moeda americana recuando de R$ 5,40 para R$ 5,30.

No ano que vem, a situação também está mais delicada. O mercado reajustou para cima as suas projeções para a inflação de 2023 e 2024: a do próximo ano subiu de 3,51% para 3,70%, e a do ano seguinte, de 3,10% para 3,15%.

As instituições consultadas também reduziram a estimativa de alta do PIB de 2023, de 1,50% para 1,43%, e da cotação do dólar em relação ao real em 2023 e 2024 (de R$ 5,30 para R$ 5,21, e de R$ 5,30 para R$ 5,20), respectivamente.

De olho nos combustíveis

Após o reajuste da Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro sancionou integralmente, na última sexta-feira (11), o Projeto de Lei Complementar 11, que altera a cobrança do ICMS sobre os combustíveis, segundo informação da Secretaria-Geral da Presidência.

Bolsonaro defende há meses a mudança na cobrança no ICMS, um imposto estadual, tentando passar boa parte da responsabilidade da alta dos preços dos combustíveis aos governadores.

Já no sábado (12), o presidente afirmou que, para respeitar as obrigações legais da Petrobras, decidiu que não vai interferir nos reajustes dos preços dos combustíveis. Afirmou, no entanto, que o governo, junto com o Congresso Nacional, já está tomando medidas para não repassar para os consumidores toda a defasagem dos preços do petróleo no mercado internacional com os do diesel e gasolina no País.

Após os reajustes promovidos na semana passada, a Petrobras (PETR3;PETR4) publicou no último sábado (12) dois vídeos em sua página na internet justificando os aumentos.

Conforme a estatal, o último reajuste foi necessário para manter o fornecimento por todas as empresas, mitigando riscos de desabastecimento. A empresa diz que não repassou imediatamente a elevação recente nas cotações do petróleo pois “não transmite volatilidade e sabe da importância de contribuir com combustível acessível.”

Com a disparada no preço dos combustíveis e as turbulências no setor de fertilizantes, ganhou força no governo e no Congresso o plano para baixar encargos no frete marítimo, por meio de um corte no Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).

A tesourada na tributação é ensaiada em duas frentes. Em uma, o governo estuda editar um decreto para reduzir em cerca de 30% as alíquotas do encargo, ato que pode ser publicado nas próximas duas semanas.

Na segunda, está uma articulação para reverter um veto do presidente Jair Bolsonaro sobre o tema, que barrou o corte nas alíquotas aprovado dentro do projeto de incentivo à cabotagem, o BR do Mar.

Surto na China e nova rodada de negociações

Em mais um dia de guerra, as atenções dos agentes financeiros internacionais estão voltadas mais uma vez para a reunião que será realizada entre autoridades russas e ucranianas, nesta segunda-feira.

A declaração foi dada após o conselheiro do presidente Volodymyr Zelenski, Mikhailo Podoliako, indicar que a Ucrânia não pretende recuar, mas dizer que os diálogos têm avançado.

“Não vamos ceder em princípio em nenhuma posição, a Rússia agora entende isso. [Mas] a Rússia já está começando a falar de forma construtiva”, afirmou o conselheiro em um vídeo divulgado nas redes sociais. “Acho que alcançaremos alguns resultados literalmente em questão de dias”.

Podoliako disse que as demandas ucranianas “são o fim da guerra e a retirada das tropas”. “Vejo um entendimento e há um diálogo”.

Para o negociador russo Leonid Slutski, citado pela agência de notícias RIA, as negociações fizeram progressos substanciais e podem aumentar “nos próximos dias em uma posição conjunta de ambas as delegações, em documentos para assinatura”.

Investidores também monitoram informações de uma nova onda de Covid-19 na China – no que seria o pior surto desde que o país reprimiu a pandemia em 2020. Com a piora, grandes cidades, incluindo Shenzhen, estão correndo para limitar a atividade comercial.

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