Tesouro Direto: juros de títulos de inflação chegam a 5,77% e se aproximam de recorde, diante de avanço nos preços das commodities

Em mais um dia de intensos conflitos na Ucrânia, com mortes de civis e de militares, investidores acompanham com preocupação a guerra e a subida nos preços de várias commodities, especialmente petróleo e trigo. O contrato de petróleo do tipo Brent, com vencimento em maio, por exemplo, avançava 2,31% e era negociado a US$ 114,85 o barril, por volta das 9h10 (horário de Brasília) desta quinta-feira (3).

No mesmo horário, os contratos para maio do trigo também registravam alta de 5,04%, cotados a US$ 11,12, o bushel. Na quarta-feira (2), o cereal fechou acima de US$ 10 após 14 anos.

O temor dos analistas é de que a elevação dos preços de várias commodities pressione ainda mais a inflação ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Nesse sentido, uma das estratégias do Legislativo está em reduzir o preço dos combustíveis. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que a Casa vai retomar, na semana que vem, o debate dos projetos que tratam sobre o tema.

Destaque também para a fala de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), banco central americano, que discursa hoje pelo segundo dia seguido. Na véspera, o dirigente adiantou que é favorável a um aperto de 0,25 ponto percentual na reunião deste mês, e sinalizou ainda que a autoridade pode elevar os juros em 0,50 ponto percentual em uma ou mais ocasiões.

Enquanto isso, no Tesouro Direto, os títulos públicos registram alta nas taxas nesta manhã. O avanço é maior entre os papéis atrelados à inflação, em que os juros oferecidos por alguns títulos voltaram a se aproximar do patamar recorde.

É o caso do Tesouro IPCA+ 2040 e do 2055, ambos com pagamento de juros semestrais. Os dois ofereciam retornos reais de 5,77% e de 5,76% ao ano, respectivamente, às 9h20, contra 5,73%, na sessão anterior.

Tais taxas estão próximas do recorde registrado pelos dois títulos, de 5,79% ao ano, atingido no dia 24 de fevereiro, quando teve início a invasão russa à Ucrânia. Ambos começaram a ser negociados em fevereiro de 2020.

Já entre os prefixados, o destaque está no Tesouro Prefixado 2033, com pagamento de cupom semestral, em que a remuneração avançava de 11,68%, na sessão anterior, para 11,77% ao ano, às 9h20 desta quinta-feira.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na manhã desta quinta-feira (3):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Radar externo

As atenções na cena externa seguem voltadas para a guerra. Ontem à noite, a cidade de Kherson, centro estratégico na Ucrânia Meridional, foi conquistada pelas forças russas, segundo confirmou o prefeito da localidade, Igor Kolykhaev, ao jornal The New York Times.

Destaque também para a Ásia. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da China ficou em 50,1 em fevereiro, mesmo patamar de janeiro, de acordo com pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela IHS Markit em parceria com a Caixin Media. Números acima de 50 indicam expansão da atividade.

Já o PMI de serviços da China, divulgado no mesmo levantamento, caiu de 51,4 em janeiro para 50,2 em fevereiro.

Foco também nas commodities. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) concordou ontem (2) com uma adição pequena e planejada na produção do óleo em abril, de 400 mil barris por dia (bpd), apesar de os preços terem subido a níveis não vistos em mais de oito anos, em meio a preocupações com a oferta após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Fundo eleitoral e alimentos mais caros

Já na cena política local, o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quinta-feira o julgamento sobre o fundo eleitoral e deve formar maioria para manter o valor de R$ 4,9 bilhões aprovado pelo Congresso. Essa será a terceira sessão em que o chamado “Fundão” será discutido.

Cinco ministros já votaram a favor do valor bilionário: Kassio Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso. Apenas o ministro André Mendonça, em seu primeiro julgamento colegiado como relator, votou para que o montante seja reduzido. Ainda precisam votar Dias Toffoli, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.

Investidores também repercutem declaração feita ontem por Tereza Cristina, ministra da Agricultura. Na ocasião, ela afirmou que o preço dos alimentos deve sofrer uma alta, como consequência da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Diante de um cenário não muito favorável, a estratégia do governo para evitar reajustes mais pesados no bolso do consumidor será a diversificação de fornecedores de adubos e fertilizantes.

“Tudo vai depender do tempo. A gente tem que diminuir esses impactos, achar alternativas para ter o fornecimento. O preço [quem faz] é o mercado. O trigo subiu nas alturas porque a a Ucrânia é um grande produtor. Hoje o mundo é globalizado. O preço [dos alimentos] a gente acha que terá uma alta. A soja subiu, caiu um pouco depois. O milho subiu e caiu depois. Isso é uma commodity. Temos de acompanhar e diminuir os impactos”, destacou a ministra.

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