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Tesouro Direto: juros têm leve queda após decisão do Copom; taxas de prefixados de curto prazo recuam mais

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O mercado de títulos públicos negociados no Tesouro Direto registra queda ou estabilidade nas taxas na manhã desta quinta-feira, repercutindo as decisões monetárias anunciadas na véspera.

Mais do que o ajuste de 1 ponto percentual na Selic – amplamente esperado pelo mercado – que elevou a taxa básica de juros para 11,75% nesta quarta-feira (16), o foco está nos próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

No comunicado que acompanhou a decisão de ontem, a autoridade monetária preferiu contratar mais uma elevação de mesma magnitude para o próximo encontro – o que levaria os juros a 12,75% em maio.

Para economistas ouvidos pelo InfoMoney, a postura adotada pelo Copom no comunicado afastou a possibilidade de que os juros sejam reduzidos ainda neste ano. Segue também no radar dos agentes financeiros, a possibilidade de que a Selic siga além de 13% neste ano para controlar a subida de preços e que as altas ocorram até junho e não mais até maio.

Com a inflação em alta, agentes financeiros monitoram ainda o impacto que isso já vem causando na atividade. O destaque da cena local está nos números de janeiro do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, conhecido como IBC-Br, que veio pior do que o esperado pelo mercado.

Na quarta semana de guerra na Ucrânia, o mercado acompanha novos desdobramentos do conflito com a Rússia, diante de avanços nas negociações de paz entre os dois países. As conversas continuam, mas ainda não há um acordo concreto entre ambos.

No Tesouro Direto, às 9h20, o recuo maior nas taxas era registrado entre os prefixados. Destaque para o papel com vencimento em 2025, cujo retorno recuava de 12,55% na sessão anterior para 12,43% ao ano hoje.

No mesmo horário, o Tesouro Prefixado 2033, com cupom semestral, oferecia juros de 12,52% ao ano às 9h20, contra os 12,54% registrados ontem.

Da mesma forma, títulos atrelados à inflação apresentavam recuo ou estabilidade nos juros reais, como é caso do Tesouro IPCA+ 2055, em que o retorno real se mantinha em 5,91%. Já a remuneração real oferecida pelo Tesouro IPCA+ 2035 e 2045 passava de 5,88% para 5,86%.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na manhã desta quinta-feira (17):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

IBC-Br e Copom

Na cena econômica, agentes financeiros acompanham a divulgação do IBC-Br. Segundo o Banco Central, o índice recuou 0,99% em janeiro na comparação mensal. A projeção do consenso Refinitiv era de uma queda de 0,25% em relação a dezembro.

Já na comparação anual, a atividade econômica avançou 0,01%, ante um consenso de mercado de alta de 0,77%. Nos últimos 12 meses, o indicador sobe 4,73%.

Atenção ainda para a decisão do Copom. Agora, uma parcela do mercado acredita que os ajustes na taxa básica de juros devem seguir até junho, e não mais até maio, como era previsto anteriormente.

Leia mais:
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“Entendo que, em fevereiro, o Copom enxergava que algo em torno de 12% seria suficiente pra segurar as expectativas de inflação dos próximos anos. Diante de todos os choques recentes, o BC imagina que será necessário levar os juros para um patamar mais elevado”, afirma Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. Além da alta de 1 ponto em maio, a RB acredita que o Copom deve fazer uma alta final de meio ponto na reunião seguinte, levando a taxa a 13,25%.

“Na melhor das hipóteses, se as altas terminassem com a sinalização hoje, o final do ciclo de aperto monetário seria de 12,75%, o que é uma taxa de juros bastante elevada. Mas existe sim a perspectiva de que esses reajustes possam continuar após o próximo Copom, porque os eventos que ditam o ritmo do mercado internacional e da inflação como um todo são mais preocupantes nesse momento”, afirma Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital.

Caio Megale, economista-chefe da XP, por outro lado, preferiu ser mais conservador e disse que ainda não mudou seu cenário para Selic, que está em 12,75%, no fim do ciclo de aperto. Para ele, a ata da reunião de ontem “nunca foi tão importante” para explicitar os cenários que o BC está vendo, ainda mais em um momento em que “mundo está mudando muito”.

Projeções do governo

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia piorou nesta quinta-feira suas projeções oficiais para atividade econômica e a inflação em 2022, embora tenha seguido mais otimista que o mercado em relação à economia.

Agora, a estimativa é de alta no Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5% este ano, contra 2,1% na projeção feita em novembro do ano passado. Para 2023, a projeção foi mantida em 2,5%.

Para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a estimativa da equipe econômica subiu para 6,55% em 2022, de 4,7% antes, e foi mantida em 3,25% para 2023.

Fed, commodities e conflito Rússia e Ucrânia

Os índices futuros dos EUA operam com perdas, intensificadas nesta manhã de quinta-feira (17), com os investidores digerindo as decisões de política monetária e após fortes ganhos na véspera.

Ontem, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, aprovou um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa, o primeiro aumento desde dezembro de 2018.

Autoridades do banco central dos EUA também sinalizaram um caminho agressivo à frente, com aumentos nas taxas nas seis reuniões restantes deste ano.

Além das decisões de política monetária, investidores monitoram os preços do petróleo que voltaram a subir depois que a Agência Internacional de Energia (AIE) disse que os mercados podem perder três milhões de barris por dia (bpd) de petróleo e produtos refinados russos a partir de abril.

A perda de oferta seria muito maior do que uma queda esperada de um milhão de bpd por dia na demanda desencadeada pelos preços mais altos dos combustíveis, disse a AIE.

O minério de ferro também segue em alta após a recuperação da véspera, em meio a esperanças renovadas de estímulos adicionais para ajudar a China a compensar o impacto da piora da Covid-19.

Combustíveis e reforma tributária adiada

Na cena política, Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, falou ontem à imprensa que a criação de um fundo de equalização dos combustíveis está “completamente fora do radar”. Apesar disso, ele afirmou que o Congresso discute com Casa Civil, Ministério de Minas e Energia e o Ministério da Economia a criação de um subsídio que seja direcionado à gasolina para alguns setores, como taxistas.

De acordo com Lira, o foco está em um subsídio setorizado e que não prevê a desoneração ampla da gasolina. No caso do diesel e do querosene para aviação, os impostos federais já foram desonerados por outro projeto.

Ainda na seara política, a Comissão de Constituição de Justiça do Senado (CCJ) adiou ontem novamente a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que tem o objetivo de reformar o sistema tributário brasileiro, a PEC 110. No entanto, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente da Casa, disse que ela pode ser aprovada na semana que vem.

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