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Tesouro Direto: taxas dos títulos prefixados disparam até 20 pontos-base com choque de realidade do IPCA

As taxas dos títulos públicos prefixados sobem com força na manhã desta sexta-feira (8), repercutindo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A inflação oficial subiu 1,62% em março e nos últimos 12 meses chegou a 11,30%.

Segundo Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura, hoje é um dia de choque de realidade para o mercado – que vinha operando nos últimos dias na expectativa de que o Copom coloque um fim ao ciclo de alta nos juros. Expectativa que foi alimentada também por sinalizações de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central e a adoção da bandeira verde nas contas de luz a partir de 16 de abril.

“Hoje teremos um dia altista na curva de juros”, destaca. O economista afirma que o IPCA superou o teto das projeções, sinalizando que a economia segue com uma pressão inflacionária muito forte. “Essa visão é reforçada pelo IPC-S da primeira semana de abril, que também veio acima do esperado e com acelerações significativas em vários itens da cesta”, avalia Borsoi.

Ele também defende que embora o mercado passe um recado de alívio no curto prazo, pela adoção da bandeira verde, a perspectiva inflacionária segue desfavorável. Isso deve tornar mais difícil a tarefa do Copom de convencer os agentes de mercado de um possível fim no ciclo de alta dos juros em maio.

Dentro do Tesouro Direto, as taxas dos títulos prefixados subiam com força. A maior alta era no Tesouro Prefixado 2025. O título público oferecia às 9h26 uma rentabilidade anual de 11,80%, superior aos 11,60% vistos na quinta-feira (7).

Enquanto o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentavam um retorno anual de 11,62% e 11,67%, respectivamente, acima dos 11,51% e 11,57% da sessão anterior.

Nos títulos atrelados ao IPCA, apenas o Tesouro IPCA+ 2026 tinha variação nas taxas. O título oferecia uma rentabilidade real de 5,17%, superior aos 5,14% registrados ontem.

Os outros títulos de inflação apresentavam estabilidade nas taxas.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na manhã desta sexta-feira (8):

IPCA de março

A inflação oficial no País, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 1,62% em março de 2022 na comparação com fevereiro, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (8).

Esse foi o maior resultado para o mês de março desde 1994 (42,75%), antes da implantação do Real. No ano, o indicador acumula alta de 3,20% e, nos últimos 12 meses, de 11,30%, acima dos 10,54% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Os dados vieram acima do esperado. A estimativa de analistas consultados pela Refinitiv era de que o IPCA tivesse subido 1,30% em março ante fevereiro e 10,98% ante um ano antes.

Em março, os principais impactos vieram dos transportes (3,02%) e de alimentação e bebidas (2,42%). Os dois grupos, juntos, contribuíram com cerca de 72% do índice do mês. No caso dos transportes, a alta foi puxada, principalmente, pelo aumento nos preços dos combustíveis (6,70%), com destaque para gasolina (6,95%), que teve o maior impacto individual (0,44 p.p.) no indicador geral.

Por outro lado, houve queda 7,33% nos preços das passagens aéreas. “Isso porque a metodologia empregada no indicador considera uma viagem marcada com dois meses de antecedência. A variação reflete a coleta de preços feita em janeiro para viagens realizadas em março.

O grupo habitação (1,15%) teve aumento por conta do gás de botijão (6,57%), cujos preços subiram devido ao reajuste de 16,06% no preço médio de venda para as distribuidoras, em março. A alta de 1,08% da energia elétrica também contribuiu para o resultado do grupo, principalmente por causa do reajustes de 15,58% e 17,30% nas tarifas de duas concessionárias de energia no Rio de Janeiro.

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