Uso de raios cósmicos pode revelar segredos da Grande Pirâmide de Gizé, no Egito

Uma nova varredura ultrapoderosa de raios cósmicos da Grande Pirâmide de Gizé pode revelar o que existe dentro de duas lacunas impenetráveis na misteriosa estrutura que intriga o Egito (e cientistas em todo o mundo) há mais de 4,5 mil anos.

Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, contém duas lacunas que são um verdadeiro mistério para os arqueólogos. Imagem: Veronika Kovalenko – Shutterstock

O maior dos dois espaços está localizado logo acima da maior das três pirâmides de Gizé — uma passagem que leva ao que pode ser a câmara funerária do faraó Khufu — e tem cerca de 30 metros de comprimento e 6 metros de altura, de acordo com escaneamentos anteriores da pirâmide.

Segundo os arqueólogos responsáveis pelo novo estudo, publicado no servidor de pré-impressão arXiv, eles não sabem o que encontrarão nesse lugar, mas esperam entender sua função. A câmara funerária escondida de Khufu é a possibilidade mais interessante. Uma hipótese mais trivial é que a cavidade tenha desempenhado algum papel na construção da pirâmide.

Da mesma forma, o segundo vazio, muito menor, localizado logo após a face norte da pirâmide, também não tem um propósito muito claro.

Grande Pirâmide de Gizé é a única maravilha do mundo antigo ainda existente

Construída para o faraó Khufu, cujo reinado se deu por volta de 2551 AEC a 2528 AEC, a Grande Pirâmide de Gizé é a maior já construída no Egito e a única maravilha sobrevivente do mundo antigo.

Ao longo de dois anos, o projeto “Varredura de Pirâmides” realizou uma série de escaneamentos que analisaram múons — partículas cósmicas que caem regularmente na Terra — para detectar quaisquer vazios. Esses exames revelaram ambas as cavidades em 2017.

Simulação do interior da Grande Pirâmide de Gizé. Cientistas do projeto “Varredura de Pirâmides” relataram a descoberta de dois vazios até então desconhecidos na estrutura. Imagem: missão ScanPyramids

Desta vez, um sistema mais poderoso proposto pelos arqueólogos analisará os múons com mais detalhes. Esses fragmentos elementares carregados negativamente se formam quando os raios cósmicos colidem com átomos na atmosfera da Terra, fazendo com que essas partículas de alta energia chovam na Terra.

Inofensivas à Terra, as partículas se comportam de forma diferente ao interagir com a pedra versus o ar, e os pesquisadores agora podem usar detectores sensíveis para identificá-las e mapear áreas que não podem explorar fisicamente, como com a Grande Pirâmide.

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“Planejamos colocar em campo um sistema de telescópio que tenha mais de 100 vezes a sensibilidade do equipamento que foi usado recentemente na Grande Pirâmide”, escreveu a equipe de cientistas em seu artigo, ainda não revisado por pares.

“Como os detectores propostos são muito grandes, eles não podem ser colocados dentro da pirâmide, portanto, nossa abordagem é colocá-los do lado de fora e movê-los ao longo da base. Dessa forma, podemos coletar múons de todos os ângulos para construir o conjunto de dados necessário”, diz o documento.

“O uso de telescópios múon muito grandes colocados fora da Grande Pirâmide pode produzir imagens de resolução muito maior devido ao grande número de múons detectados”, acrescentaram.

De acordo com os cientistas, os detectores são tão sensíveis que podem até revelar a presença de artefatos dentro dos espaços. “Se alguns metros cúbicos estão cheios de material como cerâmica, metais, pedra ou madeira, devemos ser capazes de distinguir isso do ar”, disse Alan Bross, pesquisador do Laboratório Nacional de Aceleração Fermi, coautor do artigo, em declaração ao site LiveScience.

Cientistas buscam patrocinadores para o projeto

Embora já tenham obtido a autorização do Ministério do Turismo e Antiguidades egípcias para realizar os exames, eles ainda precisam de fundos para construir o equipamento e colocá-lo próximo à Grande Pirâmide.

“Estamos procurando patrocinadores para o projeto completo”, disse Bross. “Uma vez que tenhamos financiamento total, acreditamos que levará cerca de dois anos para construir os detectores”. Segundo ele, atualmente, o grupo só tem financiamento suficiente para realizar simulações e projetar alguns protótipos.

Depois que os telescópios estiverem implantados, eles precisarão de algum tempo para coletar dados. “Uma vez que implantamos os telescópios, após cerca de um ano de tempo de visualização esperamos ter resultados preliminares. Precisaremos de entre dois e três anos de visualização para coletar dados suficientes de múon para alcançar a sensibilidade total para o estudo da Grande Pirâmide”, disse Bross.

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