“Vou vender picolé ou pipoca”, diz caminhoneiro após desistir da profissão por não conseguir pagar diesel

Depois de 14 anos na boleia de um caminhão, o motorista Waltuir Inácio da Silva Júnior decidiu abandonar as estradas. A alta do diesel, anunciada semana passada pela Petrobras (PETR3;PETR4), foi a gota d’água para o caminhoneiro de 38 anos.

Segundo ele, não há nenhuma condição de continuar no setor. Sem o repasse dos aumentos dos combustíveis, o que sobra não dá para pagar as contas do dia a dia. “Vou fazer qualquer outra coisa, mas não serei mais caminhoneiro. Vou vender picolé, pipoca, qualquer coisa, mas não faço mais isso”, diz ele, que vem de uma família de caminhoneiros. “Todos já desistiram, só faltava eu.”

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Mineiro de Juiz de Fora, Júnior conta que está finalizando as últimas viagens e até o fim da semana deixará a profissão. Por ora, não deve vender o caminhão por falta de demanda. Mas afirma que terá de se desfazer de alguma coisa para pagar as dívidas na praça.

“Hoje pago a conta que tem mais tempo de atraso. As demais continuam na lista de espera. Quando sobra um dinheiro, eu quito.”

Categoria dividida

A ideia de uma possível paralisação por causa do aumento do preço dos combustíveis ainda divide a categoria.

O caminhoneiro autônomo Wanderlei Loureira Alves, o “Dedeco”, disse em nota que “as divergências são muitas entre caminhoneiros e lideranças que são a favor de parar e os que são a favor de aumentar os fretes para suprir o aumento (dos combustíveis)”.

Diante da cisão, o caminhoneiro autônomo afirma que “não vai se envolver” mais. Ele também critica caminhoneiros autônomos que continuam defendendo o governo de Jair Bolsonaro (PL) e recomenda às empresas de transporte comprarem mais caminhões “e não cederem às pressões dos autônomos, já que eles defendem tanto este governo”.

Outra fonte do setor confirma que a categoria, de fato, “está muito polarizada”.

Já os transportadores de carros e de combustíveis decidiram parar os caminhões em suas bases e não fazer novas viagens desde a última sexta-feira (11). Em comunicado, as empresas afirmaram que o reajuste dos combustíveis inviabilizou o frete e que, até que as condições financeiras sejam restabelecidas, a frota ficará parada.

A orientação para quem estiver com cargas em andamento é que terminem as entregas e voltem para as bases. O assessor executivo da presidência da Confederação Nacional de Transportadores Autônomos (CNTA), Marlon Maués, disse que se trata de uma paralisação técnica, sem bloqueios nas estradas. “O aumento fez com que o sistema entrasse em colapso.”

Wagner Jones Almeida, outro assessor da CNTA e empresário do ramo de transporte de combustível, também confirmou as paralisações na sua área. “Já havia uma defasagem nos preços do frete de 24% a 25%. O novo aumento inviabilizou o custo, pois as empresas já não aceitavam reajustar os valores”, disse. “Agora piorou.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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