WeWork: o que seu polêmico fundador Adam Neumann está fazendo agora?

Adam Neumann, da WeWork (Michel Kovac/Getty Images for WeWork)

Adam Neumann teve uma queda tão espetacular quanto sua ascensão, descreve o Financial Times. Mesmo assim, o fundador da empresa de escritórios compartilhados WeWork está de volta ao empreendedorismo. Neumann detalhou seus negócios em entrevista recente ao jornal britânico e disse que está “começando algo maior do que achava ser possível”.

O empreendedor ficou conhecido por sua série de polêmicas enquanto comandava a WeWork, que fundou em 2010. Há relatos sobre sua mania de andar descalço, compartilhar maconha e tequila e proibir seus funcionários de comerem carne. Tudo isso começou a vir à tona em 2019, quando a empresa, na época avaliada em US$ 47 bilhões, tentou fazer uma Oferta Inicial de Ações (IPO, na sigla em inglês).

O prospecto do IPO incluía métricas financeiras que colocaram em dúvida a viabilidade do negócio e informações que escancararam os conflitos de interesse e má gestão de seu fundador. No mesmo ano, ele deixou o comando da empresa — que foi assumido pelo conglomerado japonês de telecomunicações SoftBank.

Algumas das novas empreitadas de Neumann são um tanto quanto excêntricas. Em seu portfólio estão dezenas de startups, casas e até florestas perto da Linha do Equador. Confira os detalhes a seguir.

Os novos negócios de Adam Neumann

Neumann inaugurou seu family office em 2019, quando a avaliação de mercado da WeWork ainda estava em seu pico. O portfólio de investimentos de sua fortuna naquela época consistia em participações em dezenas de startups. Os setores de atuação dessas companhias são dos mais diversos: crédito imobiliário, fertilização in vitro, serviços a condomínios e surfe. Hoje, essas startups dividem o portfólio com os investimentos de Neumann em imóveis.

Essas propriedades não são escritórios, mas sim residências. O empreendedor afirmou ao Financial Times que os Estados Unidos têm um déficit de 5 milhões de moradias, e que a idade média do comprador de casas subiu de 31 anos para 45 anos desde 1981. Então, o fundador da WeWork investiu milhões de dólares em apartamentos econômicos voltados para jovens das gerações Y e Z, em cidades como Austin, Atlanta, Miami e Nashville.

“Começamos comprando essas propriedades. Mas eu andei pelos edifícios, apenas sentindo, e senti que muito mais poderia ser feito para que esses moradores vivessem melhor. (…) Francamente, senti que havia espaço para mais comunidade”, disse Neumann ao Financial Times, em um discurso similar ao que usava na WeWork, que tinha como principal slogan a criação de comunidade. Vale lembrar que Neumann já tinha tentando lançar uma vertical de residência pela marca We, chamada WeLive. “A oportunidade é tremenda”, afirmou o fundador ao jornal britânico, sem divulgar mais detalhes.

Neumann não está de olho apenas em negócios nos quais tem experiência. O empreendedor também começou a comprar florestas perto da Linha do Equador, para prevenir o desmatamento das árvores e a liberação de gás carbônico. A inspiração veio da esposa, que desafiou o time do family office a pensar em como poderiam comprar florestas e ganhar dinheiro com esse movimento.

O resultado é a Flow Carbon, um negócio que vende créditos de carbono a companhias querendo compensar suas emissões. Esses créditos são registrados no sistema descentralizado blockchain, permitindo que as companhias verifiquem a autenticidade do crédito. Neumann afirmou ao jornal britânico que a empresa vendeu o equivalente a US$ 10 milhões no último ano.

Neumann novamente recupera o tom de vendedor ao contar que o nome da empresa veio do seu interesse na palavra flow (“fluxo”). “Surfistas gostam de usar a expressão ‘estado de flow’. Quando você está nele, sente que realmente pode fazer tudo. (…) “Quando pensamos no meio ambiente, em nós e na harmonia com as outras pessoas, queremos ter esse flow. Algo que todos aprendemos durante a pandemia é que queremos alcançar esse estado.”

Os empreendedores que fazem parte do portfólio de Adam Neumann reforçam a parte positiva da história do fundador da WeWork. “Ele sabe como quebrar vidros. Transformou o mercado de imóveis comerciais mais rápido do que qualquer um”, disse Marcela Sapone, cofundadora da empresa de serviços a condomínios Alfred, ao Financial Times. Andre Wang, fundador da empresa de crédito imobiliário Valon, acrescenta ao jornal que Neumann soube como ninguém unir pessoas que acreditavam em uma mesma missão. Para Daniella Gilboa, CEO da empresa israelense de fertilização AiVF, ele também é um “gênio em contar histórias.”

Um último investimento de Neumann reflete seu passado: ele ainda tem uma fatia de 10% na WeWork. Em outubro de 2021, a empresa fez sua oferta pública por meio de uma companhia de propósito específico de aquisição (SPAC). Atualmente, está avaliada em US$ 3,8 bilhões.

Segundo o Financial Times, logo Neumann poderá voltar ao conselho da empresa, mas apenas como um observador. Com a volta pelo menos parcial para os escritórios, “a oportunidade será ainda maior”, disse Neumann ao jornal. Unindo startups, residências, florestas e parte da WeWork, como exatamente Neumann quer escrever esse próximo capítulo? “Eu amaria que ele fosse a verdade”, finalizou.

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A história da WeWork

O empreendedor israelense Adam Neumann fundou a WeWork em 2010. Neumann levou a empresa de escritórios compartilhados a uma avaliação de US$ 47 bilhões primeiro com discursos ambiciosos, e depois com o suporte de investidores como Masayoshi Son, criador do conglomerado japonês de telecomunicações SoftBank.

Em documento oficial da WeWork, Neumann descreveu o negócio como “uma companhia de comunidade comprometida com impacto global máximo, com a missão elevar a consciência do mundo”. O negócio até mudou sua marca para We, refletindo um plano de expandir para academias, escolas e prédios residenciais.

Segundo o site americano Business Insider, Son decidiu assinar meu primeiro cheque para Neumann depois de menos de 30 minutos de conversa, em 2016. Ao todo, o SoftBank investiu mais de US$ 10 bilhões na companhia. No meio do caminho de ascensão da WeWork até sua avaliação de US$ 47 bilhões, Neumann incluiu políticas de trabalho polêmicas, que refletiam sua própria personalidade. No escritório ou em viagens corporativas, o fundador já andou descalço, compartilhou maconha e tequila e proibiu que seus funcionários comessem carne, completa o Business Insider.

A aproximação da desejada oferta pública inicial de ações da WeWork trouxe ceticismo, e eventualmente a queda da companhia de escritórios compartilhados. O prospecto incluía mais frases ambiciosas, mas também métricas financeiras duvidosas e até sinais de conflito de interesse e de má gestão de Neumann. A companhia reportava despesas maiores do que as receitas e tinha nomes próprios para métricas financeiras, como um “Ebitda ajustado pela comunidade”. A própria companhia destacou em seu prospecto que não previa lucratividade se mantivesse seu ritmo acelerado de expansão.

Ainda de acordo com o Business Insider, Neumann teria pegado empréstimos pessoais com a própria companhia a taxas mais atraentes do que a média do mercado para financiar seu estilo de vida, cheio de propriedades e até com um jato privado. Também alugou propriedades próprias para a companhia. A WeWork ainda teria pago US$ 5,9 bilhões a Neumann em troca do licenciamento da marca “We”. Rebekah Neumann, esposa de Neumann e líder de marca da companhia, poderia nomear um novo CEO caso Neumann falecesse, sem passar por aprovação de conselho.

Eventualmente, o fundador devolveu o dinheiro obtido com o licenciamento da We, a cláusula sobre o novo CEO foi retirada e a WeWork avaliou uma redução da sua avaliação de mercado. Mas as mudanças foram menores do que as críticas, e a companhia acabou cancelando seu IPO semanas depois da publicação do prospecto. A avaliação da companhia despencou em mais de 70%, segundo o site americano. O SofBank assumiu o controle da empresa para impedir sua falência, e expulsou Neumann em 2019. Mesmo assim, o polêmico empreendedor continua sendo um bilionário, segundo o Financial Times.

Neumann já admitiu que a avaliação de mercado da companhia “subiu à sua cabeça”. Ao jornal britânico, o empreendedor afirmou ter conversado com diversos amigos para perguntar o que ele havia feito de errado. Mas amigos ouvidos pelo Financial Times não acreditam que ele tenha arrependimentos – exceto frear os gastos da WeWork na hora certa para mostrar a Wall Street que a companhia poderia ser lucrativa. “Eu acho que ele ainda está processando o que aconteceu com ele e procurando novamente ter ‘aquela coisa’”, disse um dos amigos ao jornal, em condição de anonimato. “Aquela coisa” seria: surfar a próxima grande onda.

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